Início/Serviços/Fraude bancária e Pix

Perito em fraude bancária: a prova de que não foi você.

Resposta curta

No golpe por acesso remoto, no Pix que você não fez e no empréstimo contratado em seu nome, o banco costuma responder que a operação saiu do seu aparelho, com a sua senha. A perícia examina uma cópia forense do computador ou do celular, monta a linha do tempo dos minutos em torno da operação e a confronta com os registros do banco. O laudo mostra se havia programa de acesso remoto, de onde ele veio e quem estava no controle naquele momento.

«Foi feito do seu aparelho» não quer dizer que foi você.

A resposta do banco costuma ser a mesma: senha correta, dispositivo cadastrado, operação regular. Acontece que, no golpe por acesso remoto, é exatamente isso que se passa. O golpista não precisa roubar o celular nem o computador — ele os opera a distância, depois de convencer a vítima a instalar um programa ou de infectar o aparelho por uma mensagem. É como um carro que sai da sua garagem, com a sua chave, mas guiado por controle remoto.

O antivírus não resolve essa dúvida. Ele confere quem está no prédio agora; a perícia lê o livro da portaria. Muitos golpes usam programas legítimos de suporte técnico, que nenhum antivírus acusa, e que deixam no sistema registros de instalação, de uso e, muitas vezes, de cada sessão recebida.

A tese de responsabilidade é do advogado: o Código de Defesa do Consumidor trata do defeito na prestação do serviço (art. 14), e a Súmula 479 do STJ, da responsabilidade das instituições financeiras por fraudes praticadas por terceiros em operações bancárias. O que a perícia entrega é o fato técnico sobre o qual essa tese se apoia.

Quando contratar

Golpes em que a perícia faz diferença.

Falsa central ou falso suporte

Ligação ou mensagem «do banco» pede para instalar um aplicativo ou abrir um link. Daí em diante, a conta é operada por outra pessoa, do seu próprio aparelho.

Celular controlado a distância

Programa malicioso que assume o celular — às vezes com a tela escurecida ou coberta por uma imagem falsa — enquanto as transações são feitas.

Pix que você não reconhece

Transferências em sequência para favorecidos novos, em horários atípicos. O exame confronta cada operação com o que acontecia no aparelho naquele minuto.

Empréstimo ou cartão contratado sem você

O crédito entra e sai em minutos. A perícia verifica se a contratação partiu de sessão remota ou de dispositivo estranho ao correntista.

Conta habilitada em outro aparelho

Troca de chip ou cadastro de novo dispositivo: os registros do banco e da operadora mostram um aparelho que não é o seu.

Boleto ou dados de pagamento adulterados

E-mail ou PDF alterado no caminho. O exame do arquivo e da caixa de e-mail mostra onde a troca aconteceu.

Como funciona

Como a perícia reconstrói a fraude.

  1. Pare de usar o aparelho

    Primeira orientação, já na conversa inicial: desligar, não formatar, não rodar limpeza, não levar à assistência técnica. Cada dia de uso apaga um pedaço do que importa.

  2. Cópia forense

    O disco do computador ou a memória do celular é copiado com hash, no escritório ou no local. O equipamento volta ao dono; o exame é feito na cópia.

  3. A hora exata da operação

    Extratos, comprovantes e protocolos do banco fixam o minuto de cada transação contestada. Sem esse dado, nenhuma linha do tempo fecha.

  4. Linha do tempo

    Programas instalados e executados, arquivos baixados, páginas abertas, conexões e sessões remotas nos minutos anteriores e posteriores à fraude.

  5. Confronto com o banco

    O endereço IP, o dispositivo e o canal informados pelo banco batem com o aparelho examinado e com a sua conexão? Se não batem, é aí que está a prova.

  6. Laudo e processo

    Laudo assinado digitalmente, com limites declarados, e indicação ao advogado de quais registros pedir ao banco e à operadora. Se houver perícia judicial, atuação como assistente técnico.

Se o golpe acabou de acontecer
  • Conteste no banco cada operação e guarde os números de protocolo; no Pix, peça a devolução pelo mecanismo do Banco Central o quanto antes.
  • Registre o boletim de ocorrência.
  • Não formate, não restaure, não desinstale nada e não apague histórico, downloads ou mensagens.
  • Preserve no celular SMS, ligações, mensagens e e-mails dos dias anteriores ao golpe.
  • Anote o que já foi feito no aparelho (antivírus, técnico, reinstalação) e quando. O exame precisa separar o vestígio da fraude do efeito da limpeza.
Prazos

Três relógios correm desde o dia do golpe.

RelógioO que acontece
O do aparelhoParte dos registros do sistema é reciclada em semanas, e o uso diário sobrescreve o que restou do período dos fatos.
O do bancoProvedores de aplicação devem guardar os registros de acesso por seis meses, e o juiz pode ordenar que sejam preservados e apresentados (Marco Civil da Internet, arts. 15 e 22).
O do processoNomeado o perito do juízo, a parte tem quinze dias para indicar assistente técnico e apresentar quesitos (CPC, art. 465, § 1º). A perícia judicial pode vir meses depois da fraude.

Os dados de quem recebeu o dinheiro — muitas vezes uma conta de passagem, aberta em nome de terceiro — só saem por ordem judicial, sob a Lei Complementar nº 105/2001. O laudo ajuda o advogado a dizer exatamente o que pedir, a quem e de que período.

Referências: Código de Defesa do Consumidor, art. 14 · Súmula 479 do STJ · Código Penal, art. 171, § 2º-A (Lei nº 14.155/2021) · Lei nº 12.965/2014, arts. 15 e 22 · Lei Complementar nº 105/2001 · ISO/IEC 27037 · NIST SP 800-86

Perguntas frequentes

Fraude bancária e Pix: dúvidas comuns.

O banco diz que a operação foi feita com minha senha e meu aparelho. Acabou?
Não. No golpe por acesso remoto, a operação sai mesmo do seu aparelho e com a sua senha, só que comandada por outra pessoa. A perícia procura justamente os vestígios desse controle a distância: programa instalado, sessões recebidas e conexões no minuto da transação.
Passei o antivírus e ele não encontrou nada. Ainda vale a perícia?
Vale. O antivírus só vê o que está presente e é classificado como ameaça. Programas legítimos de acesso remoto não são ameaça para ele, e um programa já removido não é detectado. Os dois casos costumam deixar rastro de instalação e de execução nos registros do sistema.
Continuei usando o computador depois do golpe. Perdi a prova?
Não necessariamente, mas cada dia conta. Parte dos registros do sistema é reciclada em semanas e o uso sobrescreve o que restou. O exame mede o que ainda existe e declara o que já não pode ser afirmado. Quanto antes a cópia forense for feita, melhor.
O laudo serve na ação contra o banco?
Serve como prova técnica do fato: se houve acesso remoto ou programa malicioso, quando e de onde. A responsabilidade do banco é tese jurídica, do advogado, que costuma se apoiar no Código de Defesa do Consumidor e na Súmula 479 do STJ; o laudo dá a ela base de fato.
Dá para descobrir quem recebeu o Pix?
A conta que recebeu é identificável pelo banco de destino, mas os dados só saem por ordem judicial. Muitas vezes é uma conta de passagem, aberta em nome de terceiro, e o caminho segue para as transferências seguintes. O laudo indica ao advogado o que pedir e a quem.
E se a perícia não encontrar sinal de invasão?
Então você fica sabendo antes da parte contrária, com tempo para decidir com o advogado como conduzir a prova. Um exame honesto pode dizer «não», e é isso que dá valor ao «sim» quando ele vem.
Vocês atendem golpes ocorridos em qualquer cidade?
Sim. Com escritórios em São Paulo, Curitiba e Brasília, a coleta pode ser presencial nessas cidades ou com deslocamento, e boa parte do exame é feita remotamente. A avaliação inicial e a proposta de honorários saem em até 24 horas.
Artigos

Fraude bancária: leituras.

Ver todos os artigos →

Caiu em um golpe bancário?

Retorno em até 24 horas com avaliação inicial e proposta de honorários — sem compromisso. Fale com o escritório mais próximo; o atendimento cobre todo o Brasil.